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    O Contexto atual

 
As empresas estão sendo chamadas a assumir sua parcela de responsabilidade no contexto sócio ambiental do planeta. Consumidores mais exigentes passam a observar essa responsabilidade como fator de decisão de compra de produtos diversos, bancos e outras instituições financeiras condicionam o crédito à atuação sócio ambiental de seus clientes, licenças para operar passam pelo crivo de comunidades e órgãos ambientais. O lucro econômico não pode mais ser o único objetivo. A responsabilidade da empresa é mais ampla. O mundo corporativo está mais complexo.

Surgem, neste contexto, a Responsabilidade Social Empresarial, Responsabilidade Corporativa, Sustentabilidade Empresarial, Desenvolvimento Sustentável, etc..., demandando nova conduta e posturas, e oferecendo diversas ferramentas para as empresas se adequarem a esta nova realidade. São novos relatórios que devem ser publicados, novos indicadores que devem ser criados, multiplicidade de interesses a serem considerados e novas exigências a serem cumpridas. A busca pela sustentabilidade já não é mais exótica no cenário brasileiro, fazendo parte da realidade corporativa.

No entanto, novas ferramentas com modelos mentais antigos não geram transformação. Ao contrário, geram grande distância entre discurso e prática. Na ânsia de parecerem sustentáveis, muitas empresas já adequaram seus discursos, já recriaram seus códigos de conduta, missões e princípios, publicaram relatórios de sustentabilidade, e mudaram o estilo da comunicação. Na prática, entretanto, ainda operam seus negócios como sempre operaram e mais cedo ou mais tarde frustram-se por não entenderem bem como ser realmente sustentáveis. Têm projetos de investimentos sociais por um lado, programas ambientais de outro, mas não sabem bem como fazer para que esta tal sustentabilidade permeie a organização e faça parte da estratégia.

Ser sustentável está além de projetos isolados, vai além da geração de relatórios e propagandas, além de iniciativas ecológicas. Ser sustentável exige mudanças profundas na maneira de pensar e agir, tanto individualmente quanto organizacionalmente. O desafio é atuar com competências muito diferentes das quais estávamos habituados. Mais do que negociar, é preciso compartilhar, mais do que vender, é preciso ser útil, mais do que comunicar é preciso dialogar. Trata-se de uma mudança cultural e paradigmática que exige muita capacidade reflexiva, aprendizagem organizacional e visão sistêmica. Estamos num caminho sem volta. Agir "de forma sustentável" é, cada vez mais, condição sine qua non para a nossa sobrevivência e, portanto, para a das empresas também.

Sim, o mundo corporativo parece estar mais complexo. Talvez tenhamos cultivado a capacidade de vê-lo dessa forma; ou quem sabe ele já tenha mesmo nascido assim. Tornando-nos aptos a enxergar a realidade com outros olhos, poderemos então passar a atuar sob outro prisma, objetivando poder transformá-la num processo continuo de evolução em conjunto, que promova consciência, saúde, felicidade e paz.